sexta-feira, 28 de maio de 2010

Eu também sou Pioneira

Artigo publicado no Jornal do Tocantins do dia 28 de maior de 2010

E quem disse que não sou pioneira? Pois é. Eu sou pioneira também. Vendo Palmas completar 21 anos, me lembro de quando cheguei a essa cidade, na época eu tinha apenas 7 anos de idade. Minha comadre morre de rir quando digo que já morei na Praça dos Girassóis, mas isso é verdade, faz parte de minha história.

Claro que me lembro, dos meus tempos de menina, quando morava na antiga rodoviária, que ocupava o lugar que hoje é a Secretaria do Planejamento, dentro de um Opala vermelho que dividi com minha mãe, meu pai e meu irmão (na época, mais novo do que eu). Tudo em busca do sonho de melhorar de vida, do sonho da cidade nova, do sonho da “nova Brasília”.

Arrepio-me ao pensar que tudo que meus pais queriam eram me dar uma vida melhor, e isso eles conseguiram. Afinal, engoli poeira, mas me diverti e Palmas me deu a oportunidade de conquistar vitórias inacreditáveis.

Mas não pensem que foi fácil, pois também me lembro muito bem das lágrimas de alegria de minha mãe quando conseguiu uma vaga para que eu estudasse na escola Madre Belém, misturadas com as lagrimas de tristeza por não ter conseguido para o meu irmão. Hoje agradeço a ela, o esforço de ter levantado na madrugada e de ter insistido na intenção de garantir a minha educação, que posteriormente me rendeu uma vaga na única universidade pública do Tocantins.

Engoli poeira, pisei em lama, brinquei atrás dos caminhões pipas e me perdi de alegria no me de redemoinhos. Chorei com as chuvas de vento e participei de muitos desfiles cívicos. Eu também sou história. Também sou pioneira. Também escolhi Palmas para ter meus filhos e espero que meus filhos escolham Palmas para ter meus netos.
Tenho certeza que muitos, ao ler esse texto lembram-se das histórias que conto e das dificuldades que passamos para que Palmas se tornasse essa beleza que é hoje. Muitos também usaram água de caminhão pipa e lavaram roupas no córrego Brejo Comprido (Avenida Teotônio Segurado). Pois, essa era a minha intenção, relembrar aos palmenses o verdadeiro significado da palavra pioneiro.

Ver Palmas assim, com ares de cidade grande, me deixa encantada e me faz lembrar que a cidade é assim, porque muitos iguais aos meus pais insistiram em construir uma cidade perfeita para se viver. Obrigada pai, obrigada mãe, obrigada pioneiros anônimos. Parabéns Palmas.

Erica Lima é jornalista, especializada em assessoria de comunicação, pioneira , filha de pioneiros e moradora de Palmas desde 1991

Um comentário:

  1. Millânia Milhomem1 de julho de 2010 18:52

    Muito linda a sua história!
    Lembro-me de quando nos cantava esses e muitos outros episódios de sua vida aqui em palmas.
    Parabéns pelo espaço.
    Você sabe que eu te admiro muito.
    Essa sim é uma Jornalista de opinião!!!

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